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Tecnologias da Embrapa Amapá compartilhadas com professores de Moçambique

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Tecnologias e resultados de pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Amapá ganharam a atenção de professores de Moçambique (África) que participaram de intercâmbio acadêmico durante o mês de outubro nos campi Macapá e Porto Grande do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá (IFAP). Como parte da visita técnica ao Campo Experimental da Embrapa no Cerrado Amapaense (km 210 da BR-156), eles conheceram in loco experimentos de cultivo de açaí irrigado, café robustas amazônicos, mandioca, cupuaçu e laranja, além de manejo dos solos predominantes no Cerrado amapaense.

Foto: Iago Vila Nova

A visita integrou as atividades do Programa de Fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica de Moçambique (Bramotec), uma cooperação internacional articulada pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CONIF) e pelo Ministério da Educação (MEC), voltada à formação e ao intercâmbio de profissionais da área agrícola.

Com formação na área de ciências agrárias, os professores participantes são Alberto Carlos Vereda (Instituto Médio Agrário de Caia, em Sofala), Carolina Alfabeto Jamisse (Instituto Agrário de Boane, Maputo), Euclides Chibe Lemias Barros (Instituto Agrário de Ribauee, Nampula) e José Júnior Mbanze (Instituto Médio Politécnico de Mandlakazi, Gaza).

Foto: Iago Vila Nova

Produtividade nos experimentos de açaí irrigado

A pesquisa com açaí irrigado chamou a atenção da comitiva pela possibilidade de ampliar os conhecimentos sobre o desempenho produtivo da cultura em condições de Cerrado. O pesquisador Nagib Jorge Melém Júnior apresentou dois experimentos conduzidos pela Embrapa Amapá: um sobre espaçamento entre plantas e número de estipes por touceira e outro sobre níveis de adubação com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK).

Nagib Melém detalhou aos pesquisadores visitantes que no experimento de espaçamento, foram avaliadas 14 combinações, considerando diferentes distâncias entre plantas e linhas e a manutenção de uma, três ou cinco estipes por touceira. Os resultados indicaram melhor desempenho produtivo na combinação de dois metros entre plantas, cinco metros entre linhas e um estipe por touceira.

Já o experimento de adubação demonstrou a importância do fornecimento de nutrientes de acordo com as características do solo. Os primeiros resultados poderão subsidiar recomendações de adubação para o cultivo do açaizeiro nas condições do Cerrado do Amapá. Segundo Nagib Melém, a comparação entre os experimentos evidenciou diferenças de produtividade. “Nos resultados que apresentamos, o experimento de adubação alcançou produtividade de até 14 toneladas de açaí, enquanto a média observada no experimento de espaçamento foi de aproximadamente oito toneladas”, explicou o pesquisador.

Dados sobre produção de café

Os experimentos com café também foram apresentados aos professores visitantes. O pesquisador Rogério Mauro Machado Alves e a bolsista Nicole Galúcio detalharam os estudos desenvolvidos com os clones de robustas amazônicos (canéfora), desenvolvidos pela Embrapa Rondônia e atualmente em validação no estado do Amapá. Quatro experimentos com café são conduzidos no Campo Experimental do Cerrado e em áreas de produtores. Os visitantes conheceram dados das colheitas experimentais, realizadas em 2025 e 2026. A apresentação da equipe da Embrapa também abordou as diferenças entre os cafés arábica e o canéfora, especialmente quanto às exigências de clima e solo.

Os professores moçambicanos compartilharam informações sobre a produção de café em seu país, onde predomina o cultivo de arábica, principalmente em áreas elevadas, acima de 1.200 metros de altitude. Eles questionaram sobre as perspectivas de produção de café no estado do Amapá e as características do solo e de clima exigidas pela espécie canéfora. O pesquisador Rogério Alves destacou que, de acordo com os resultados parciais levantados nos experimentos, a perspectiva é positiva, sem deixar de recomendar a necessidade de investimentos em sistema de irrigação e adubação.

 Biocarvão como alternativa para manejo do solo

Outro ponto da visita foi a apresentação de uma trincheira de Latossolo Amarelo, classe de solo predominante no Cerrado amapaense. Os pesquisadores Ana Paula Carrara Vinha e Guilherme Rosa da Silva explicaram características de formação, composição e limitações agrícolas desse solo, como acidez elevada, deficiência de nutrientes e presença de alumínio tóxico.

Foto: Iago Vila Nova

Apesar do relevo favorável à mecanização, os pesquisadores da Embrapa ressaltaram a necessidade de práticas de manejo, como calagem, adubação e plantio direto, com manutenção da palhada para conservar a umidade e a matéria orgânica.

Os visitantes relataram dificuldades de acesso ao calcário em Moçambique, especialmente para agricultores familiares. Como alternativa a ser considerada para correção e adubação do solo, os pesquisadores sugeriram o biocarvão, material que pode ser produzido a partir de resíduos vegetais, como a casca de mandioca.

A programação técnica também contemplou apresentações sobre mandioca, com o analista Walter Paixão de Sousa; e sobre as frutíferas do cupuaçu e laranja, conduzidas pelo pesquisador Gilberto Ken Iti Yokomizo. A visita contou ainda com a participação de profissionais dos setores de Transferência de Tecnologia e do Campo Experimental do Cerrado da Embrapa Amapá.

Cooperação internacional

A cooperação entre o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CONIF) e o país africano teve início em 2017, com ações de formação de profissionais em diferentes áreas, incluindo agricultura e mecanização agrícola.

Foto: Iago Vila Nova

Nesta edição, o Bramotec reúne 14 campi de nove Institutos Federais, 78 profissionais moçambicanos, entre professores e gestores, vindo de dez províncias, com formação em áreas como Agronomia, Agropecuária, Engenharia Florestal, entre outras.

A visita à Embrapa Amapá ampliou as oportunidades de contato dos participantes com pesquisas e tecnologias desenvolvidas para as condições de produção da região amazônica, favorecendo o compartilhamento de experiências e conhecimentos técnicos entre as instituições.

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Fonte: Dulcivânia Freitas, Jornalista DRT/PB 1063-96

 

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