Victor Maracá, de 13 anos, e Perpétua, de 6, percorrerão 537 quilômetros até a Ilha de Marajó, onde passarão por um período de adaptação antes de uma possível soltura.
Os peixes-boi Victor Maracá e Perpétua deixam o Amapá neste sábado (7) em uma operação de transferência que pode representar uma nova oportunidade de retorno à natureza. Resgatados ainda filhotes, os animais viajarão cerca de 537 quilômetros, de Macapá até Soure, na Ilha de Marajó (PA), onde passarão por um período de aclimatação antes de uma possível soltura.

A previsão é que os animais cheguem ao Recinto Omar de Aclimatação na manhã de segunda-feira (9). O espaço já abriga Adria, outra fêmea de peixe-boi que também veio do Amapá.
Victor, de 13 anos, está sob cuidados humanos desde 2013, quando chegou recém-nascido ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama, em Macapá. Esta será sua segunda tentativa de adaptação ao ambiente natural. Já Perpétua, de seis anos, foi resgatada em 2020, com aproximadamente três meses de vida, e cresceu na Fundação Bioparque da Amazônia.
A operação envolve cerca de 54 profissionais de oito instituições. O transporte será feito em vans climatizadas até o porto da Marinha, em Santana, de onde os animais seguirão de ferry boat até o Pará. Durante a travessia, prevista para aproximadamente 36 horas, equipes técnicas acompanharão permanentemente as condições de saúde e o comportamento dos dois peixes-boi.

Para Renata Emin, coordenadora técnica da operação pelo Instituto Bicho D’água, a transferência representa uma nova oportunidade para os animais, que passaram boa parte da vida sob cuidados humanos.
“O Victor e Perpétua foram resgatados ainda filhotes e passaram bastante tempo sob cuidados humanos. Levar os dois para o Recinto Omar é dar a eles uma segunda chance de retorno à natureza, local de onde nunca deveriam ter saído. A equipe planejou e simulou com cuidado cada etapa da viagem para que seja a mais tranquila e segura possível para eles”.
A superintendente do Ibama no Amapá, Débora Thomáz, destaca a importância da operação para a preservação da fauna amazônica e a necessidade de conciliar o desenvolvimento com a proteção ambiental.

“É com grande orgulho e senso de responsabilidade socioambiental que realizamos com sucesso uma das operações mais complexas e significativas para a preservação da fauna amazônica em nosso estado: a translocação de dois espécimes de peixes-bois do Amapá para o Centro de Aclimatação em Soure, no Pará. Esta ação estratégica faz parte do Programa Estadual de Conservação de Peixes-Bois no Pará e ganha ainda mais relevância diante do atual cenário de debates e vistorias técnicas na Margem Equatorial. Em um momento onde o desenvolvimento e a infraestrutura estão em pauta, o fortalecimento das salvaguardas ambientais e a proteção ativa da nossa biodiversidade precisam caminhar lado a lado com a mesma prioridade.”
Débora também agradeceu às instituições e forças de segurança envolvidas na operação:
“Somos profundamente gratos a todas as instituições parceiras que tornaram esta missão possível. Agradeço imensamente à Polícia Rodoviária Federal (PRF), à Diagro, ao Ministério Público Estadual, à Polícia Militar e ao Batalhão Ambiental. O empenho logístico e a segurança operacional garantidos por cada uma dessas forças demonstraram que a proteção do nosso patrimônio natural é um dever compartilhado e um objetivo comum. A translocação bem-sucedida desses animais não é apenas o transporte de indivíduos de uma espécie ameaçada; é um símbolo de resistência, cooperação técnica e compromisso real com o futuro da Amazônia. Continuaremos trabalhando firmes para que o conhecimento científico e as parcerias institucionais permaneçam na vanguarda da defesa do nosso meio ambiente.”, concluiu.

Aclimatação e possível soltura
Em Soure, Victor e Perpétua passarão por monitoramento intensivo nas primeiras 72 horas e continuarão sob cuidados especializados durante a aclimatação. A soltura ainda não tem data definida e dependerá de avaliações técnicas, sanitárias e comportamentais.

A iniciativa integra o Programa de Conservação de Peixes-boi no Estado do Pará, coordenado pelo Ibama, com participação do Instituto Bicho D’água e de outras instituições ambientais e de pesquisa. A operação também conta com apoio da Petrobras, como parte das condicionantes do licenciamento ambiental das atividades na Bacia da Foz do Amazonas.












