Investigada não tinha formação na área da saúde e é suspeita de provocar infecção grave e deformidade permanente em paciente que pagou mais de R$ 14 mil por procedimentos estéticos.
A Polícia Civil do Amapá prendeu preventivamente, na quarta-feira (29), uma mulher investigada por exercer ilegalmente a medicina e realizar cirurgias plásticas e procedimentos estéticos invasivos sem formação profissional ou registro em conselho de classe. A suspeita era responsável por uma clínica de estética localizada no bairro Paraíso, em Santana, município a 17 quilômetros de Macapá.
A operação foi conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Santana, que também cumpriu mandado de busca e apreensão no estabelecimento. Durante a fiscalização, os agentes encontraram condições sanitárias inadequadas, com presença de baratas nos ambientes de atendimento e medicamentos armazenados junto a venenos para insetos.
Segundo a investigação, a clínica funcionava como uma extensão da residência da suspeita e operava sem alvará da Prefeitura e sem licença da Vigilância Sanitária.
Medicamentos e materiais irregulares foram apreendidos
Durante as buscas, os policiais apreenderam instrumentos cirúrgicos, toxina botulínica, canetas emagrecedoras sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), hormônios, insulina, somatropina (GH), substâncias utilizadas em preenchimentos estéticos e outros medicamentos sujeitos a controle especial.

De acordo com a Polícia Civil, a mulher realizava procedimentos invasivos sem possuir formação em Medicina, Enfermagem ou Biomedicina, nem registro profissional que a habilitasse para as atividades investigadas.
Paciente sofreu infecção grave após procedimento
O caso que fundamentou o pedido de prisão preventiva envolve uma paciente que pagou mais de R$ 14 mil por procedimentos de lipoenxertia e aplicação de fios de sustentação. Conforme as investigações, após as intervenções, a paciente desenvolveu complicações graves, incluindo infecção bacteriana, flegmão, abscesso e deformidade facial permanente.

A Polícia Civil aponta que a prática era recorrente. Ao todo, há cinco inquéritos policiais relacionados à investigada.
Suspeita tem condenação definitiva
Além do caso que motivou a prisão, a mulher responde a outros quatro inquéritos na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Santana. As investigações envolvem suspeitas de tentativa de homicídio, lesão corporal grave com deformidade permanente, exercício ilegal da medicina e estelionato.
Ela também possui condenação definitiva a cinco anos, sete meses e dois dias de prisão, em regime semiaberto, pelos mesmos crimes, conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil.
Investigada responderá por novos crimes
A mulher deverá responder por lesão corporal gravíssima, exercício ilegal da medicina com finalidade lucrativa, estelionato e crime contra as relações de consumo, além de possíveis delitos relacionados à utilização de medicamentos e substâncias farmacológicas ilegais.
Após passar por exame de corpo de delito, a investigada foi encaminhada ao sistema prisional.
A Polícia Civil reforça a importância de verificar a habilitação dos profissionais e as condições de funcionamento de clínicas antes de realizar procedimentos estéticos, especialmente os invasivos, que podem oferecer riscos graves à saúde quando executados por pessoas sem qualificação adequada.
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Fonte: Polícia Civil AP












