Saúde

Banco de Leite da Maternidade Mãe Luzia já beneficiou mais de 880 recém-nascidos entre janeiro e julho de 2026

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O Banco de Leite Humano da Maternidade Mãe Luzia tem papel fundamental no cuidado de recém-nascidos internados, especialmente daqueles que precisam de assistência em UTI neonatal. Entre janeiro e julho de 2026, o serviço beneficiou 880 bebês com leite humano doado por mulheres que, além de amamentarem os próprios filhos, compartilham parte da produção com quem precisa. No período, foram 1.717 doadoras cadastradas, 48.340 atendimentos e mais de 1 milhão de mililitros de leite arrecadados. A média atual de doações chega a aproximadamente 100 mil mililitros por semana.

Foto: Geovana Albuquerque

A importância da doação ganhou um significado especial para Maria Lúcia de Oliveira. Moradora de Gurupá, no Pará, ela veio para Macapá para ter o filho, que nasceu há seis dias e precisou ser internado na UTI após apresentar dificuldades para respirar.

Foi a necessidade do próprio bebê que fez Maria Lúcia conhecer o trabalho do Banco de Leite. Antes disso, ela nunca havia pensado em ser doadora.

“Foi por causa do meu menino. Esse e meu quinto filho, mais eu não tinha pensado ainda nessa possibilidade. Foi ver meu filho passando por essa situação que eu percebi a importância desse gesto”, contou.

Ao acompanhar a rotina dos bebês internados, Maria percebeu que a necessidade não era apenas do filho dela. Outras mães também aguardavam pelo alimento para seus recém-nascidos.

“A demanda é grande, muito bebês precisam desse leite. E o ato de doar é uma ação grandiosa e que pode ajudar a alimentar e salvar a vida desses bebês”, relatou.

A emoção aumentou ao saber que o leite retirado por ela poderia contribuir para alimentar outras crianças. “Sem palavras”, disse, ao falar sobre a possibilidade de o leite beneficiar outros bebês além do próprio filho.

A experiência também revelou uma realidade que Maria Lúcia não conhecia antes: para algumas famílias, o leite humano doado pode representar um apoio importante enquanto o bebê permanece internado e precisa de cuidados especializados.

Solidariedade que chega aos bebês que mais precisam

O leite humano doado é utilizado principalmente para atender recém-nascidos internados que apresentam maior vulnerabilidade, como prematuros, bebês de baixo peso e crianças que, por condições clínicas, não podem ser amamentadas diretamente pela própria mãe.

Nessa fase, o leite humano tem papel importante na nutrição e na proteção do recém-nascido, contribuindo para o desenvolvimento e para a recuperação durante a internação.

O trabalho do Banco de Leite integra a assistência aos bebês atendidos na rede pública e permite que o alimento produzido por uma mulher possa chegar a outra criança que enfrenta os primeiros dias ou semanas de vida em uma unidade neonatal.

Quem pode doar

A doação é destinada a mulheres que estão amamentando e apresentam condições de saúde adequadas. Antes de iniciar o processo, a interessada passa por cadastro e recebe orientações da equipe especializada.

O Banco de Leite acompanha a doadora durante o processo e fornece os materiais necessários para que a coleta seja realizada de maneira segura.

“A partir do cadastro, a mulher recebe os frascos de vidro esterilizados utilizados para armazenar o leite e orientações sobre higiene, retirada e conservação. A equipe também disponibiliza a coleta domiciliar por meio da Rota Domiciliar do Banco de Leite. Assim, a mulher não precisa interromper a rotina para levar o leite até a unidade. Depois de coletado e armazenado corretamente, o alimento é recolhido pela equipe responsável.” explicou a coordenadora do Banco de leite humano, Belizia Kyarelle Oliveira.

Cada etapa exige cuidado

A segurança do leite começa ainda na casa da doadora. O ambiente de coleta deve estar limpo, tranquilo e sem circulação desnecessária de pessoas.

A manutenção das doações é fundamental para garantir a assistência aos bebês que dependem do alimento durante a internação.

A mulher deve lavar corretamente as mãos, os braços e as mamas antes da coleta e utilizar touca e máscara, fornecidas pelo Banco de Leite. Antes da retirada, a orientação é massagear as mamas com as pontas dos dedos e desprezar os primeiros jatos de leite.

O alimento deve ser colocado somente nos frascos de vidro esterilizados fornecidos pelo serviço.

Depois da coleta, o recipiente precisa ser identificado com o nome completo da doadora, data e horário. Em seguida, deve ser acondicionado em uma sacola plástica e colocado imediatamente no congelador.

O leite pode permanecer congelado por até dez dias até a retirada pela equipe. Uma das orientações importantes é não descongelar o conteúdo para acrescentar uma nova coleta ao mesmo frasco.

Segundo a coordenadora do Banco de Leite Humano, seguir corretamente essas orientações é fundamental para evitar perdas.

“Temos doação, mas infelizmente uma grande parte está sendo descartada. A equipe orienta, mas percebemos a necessidade de reforçar ainda mais as informações”, explicou.

Entre os problemas identificados estão a sujidade e alterações provocadas pelo armazenamento inadequado. Por isso, o serviço reforça que cuidados simples podem fazer diferença para que o leite coletado chegue em condições de ser utilizado.

Da coleta ao bebê

Depois de chegar ao Banco de Leite Humano, o leite passa por etapas de seleção, avaliação e controle de qualidade. O alimento é submetido ao processamento e à pasteurização antes de ser disponibilizado aos bebês.

Esse processo garante que o leite destinado aos recém-nascidos seja analisado e tratado de acordo com os protocolos de segurança adotados pelo serviço.

Para Belizia, a manutenção das doações é fundamental para garantir a assistência aos bebês que dependem do alimento durante a internação.

A média atual de arrecadação é de aproximadamente 100 mil mililitros por semana. Mesmo com a participação de milhares de mulheres ao longo do ano, a equipe reforça a necessidade de novas doadoras e da continuidade das mulheres que já participam da iniciativa.

Uma gota que pode chegar muito longe

Os números ajudam a dimensionar o alcance de um gesto que começa de maneira simples: uma mulher que amamenta e decide compartilhar parte do leite que produz.

De janeiro a julho, foram mais de 1 milhão de mililitros arrecadados e 880 bebês beneficiados. Por trás desses números estão recém-nascidos que permanecem longe do colo da família, conectados a equipamentos e acompanhados por equipes especializadas.

Para essas crianças, o leite humano representa mais do que alimentação. É parte do cuidado necessário para atravessar um período delicado da vida.

Por isso, o Banco de Leite reforça o convite para que mulheres que estão amamentando e atendem aos critérios de doação procurem o serviço. A equipe oferece orientação, fornece os frascos e realiza a coleta domiciliar.

“Cada gota de leite materno é um ato de amor. Com cuidado e informação, conseguimos evitar desperdícios e salvar mais vidas”, destaca a coordenadora.

Como se tornar doadora

As interessadas podem procurar o Banco de Leite Humano da Maternidade Mãe Luzia, na Avenida FAB, nº 1070, edifício Office Center, Centro de Macapá.

Também é possível entrar em contato com a Rota Domiciliar pelo WhatsApp (96) 98416-4400 para receber as orientações.

O Banco de Leite realiza o cadastro, fornece os recipientes esterilizados, orienta sobre a coleta e o armazenamento e faz o recolhimento do leite na residência da doadora.

Para uma mãe, pode ser apenas o excedente de uma mamada. Para um bebê internado, pode significar alimento, proteção e mais uma forma de cuidado em um momento em que cada gesto importa.

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Com informações de Karla Marques 

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