Criado e liderado por Liu Berman, iniciativa do Instituto Reinventando Futuros amplia experiência do Nordeste e prepara uma rede nacional de articulação territorial com foco em cultura, economia circular e desenvolvimento regional
Mobilizando cerca de 11 mil brasileiros em torno da economia circular, uma iniciativa originária no Nordeste expande sua atuação para o Centro-Oeste e o Norte do país. Após o sucesso das 3 edições do Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC), que articulou centenas de líderes e autoridades vindos de Portugal, Estados Unidos e Costa Rica, uma nova rede de fóruns regionais voltado à cultura e aos territórios com o Fórum Norte previsto para dezembro de 2026, em Belém (PA), e o Fórum Centro-Oeste previsto para 2027.
Iniciativa do Instituto Reinventando Futuros, criado e liderado pela presidente Liu Berman, que atua há mais de duas décadas à frente de movimentos criativos, a proposta prevê a realização do Fórum Norte de Economia Circular, em Belém (PA), nos dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2026. A partir de junho de 2027, a maior plataforma de articulação territorial em atividade no Brasil deverá expandir seu núcleo de atividades para mais uma edição do FNEC em Maceió (AL), enquanto o Fórum Centro-Oeste entra em construção.
Com passagem pelos estados da Bahia, Pernambuco e Ceará — que consolidou a metodologia com 3 mil participantes em 2026 – a ideia é colocar os debates sobre a ‘economia circular’ no centro das comunidades e da gestão pública. Vindo de uma alta no setor, com 6 a cada 10 indústrias no Brasil adotando práticas de economia circular, segundo a CNI, o momento é propício para expandir o modelo econômico e sustentável para dentro das cidades.

“Mobilizar milhares de pessoas e centenas de lideranças globais ao longo dos anos nos dá a certeza que o Brasil está pronto para consolidar uma agenda de transição ecológica e inovação social. A expansão da nossa rede de fóruns, que começa em dezembro de 2026, em Belém, nasce com o propósito de descentralizar esse debate, levando para Maceió (AL) e para as demais regiões do país uma plataforma viva de construção de políticas culturais e econômicas alinhadas às urgências do nosso tempo”, explica Liu Berman.
Segundo Liu, a iniciativa parte da experiência do FNEC e avança agora em direção a um sistema nacional com metodologia e identidade própria em cada região. Ainda de acordo com a especialista em territórios criativos, a proposta é criar plataformas territoriais permanentes de escuta, articulação institucional, produção de dados, formação, fortalecimento de redes, incidência em políticas públicas e mobilização de investimentos.
Somente nas duas últimas edições, o FNEC mobilizou mais de 350 painelistas entre gestores, líderes comunitários e representantes internacionais, através de mais de 300h de programação. Para Liu, a proposta é que os territórios deixem de ser apenas receptores de políticas para se tornar produtores de inteligência, soluções e novos modelos de desenvolvimento. “O princípio que orienta a expansão é simples: a metodologia pode circular, mas os conteúdos, as prioridades, a governança e o legado precisam nascer de cada território”, explica.
A rede chega à região Norte com o I Fórum Norte de Economia Circular, realizado em parceria com o Governo do Pará, SEMAS/PA, FINEP, FIEPA, e PNUD Amazônia, no contexto pós-COP30. A proposta é que o processo seja desenvolvido a partir da escuta dos próprios territórios, envolvendo representantes do poder público, redes de catadores, organizações amazônicas, cooperativas, universidades, economia solidária, empreendimentos, comunidades e instituições de cooperação.
Entre os temas que deverão orientar essa construção, Liu traz a logística adaptada à bioeconomia, inclusão produtiva, os dados territoriais, a autonomia econômica das mulheres, saneamento, água, regulação, financiamento, cultura e tecnologias. “O Fórum Norte precisa nascer de uma construção territorial verdadeira. Não queremos simplesmente levar para a Amazônia um modelo pronto ou reproduzir a lógica dos grandes eventos, nos quais muitas vezes as comunidades aparecem apenas como cenário. A intenção é que catadores, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares, mulheres e empreendimentos informais estejam desde o início participando das decisões e produzindo conhecimento sobre o próprio território”, afirma Liu.
Ainda de acordo com a especialista, o Fórum Norte deve considerar as particularidades econômicas, sociais, ambientais e culturais da Amazônia e buscar resultados que permaneçam nos territórios. A proposta inclui a criação de uma governança amazônica permanente, além do portfólio público das chamadas Economias da Vida, além de instrumentos capazes de aproximar o financiamento, políticas públicas e iniciativas locais.
“A expansão nacional não significa uniformizar os territórios. Pelo contrário: queremos construir uma rede em que cada região tenha voz, prioridades e legado próprios. O Fórum Nordeste seguirá avançando em Alagoas, o Centro-Oeste terá sua construção no segundo semestre de 2027 e o Norte, que iniciou desde junho, instaura um processo que precisa envolver toda a Amazônia. O que estamos construindo é uma plataforma para que os territórios deixem de ser apenas receptores de políticas e passem a ser reconhecidos como produtores de inteligência, soluções e novos modelos de desenvolvimento”, conclui Liu.
.
.
.
Com informações de Antonio Anselmo












