Saúde

Aposentado de 88 anos é o primeiro paciente do Amapá a receber prótese reversa de ombro pelo SUS

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Procedimento de alta complexidade realizado no HU-Unifap/Ebserh marca avanço na ortopedia pública do estado

Durante anos, o motorista aposentado Adail Machado, de 88 anos, conviveu com dores constantes no ombro. A cada mês, era obrigado a drenar um líquido inflamatório da articulação para conseguir algum alívio. O sofrimento já comprometia o sono, a mobilidade e, sobretudo, a sua qualidade de vida. Mas, no fim de julho, essa história mudou completamente.

Adail foi o primeiro paciente do Amapá a passar por uma artroplastia total de ombro com prótese reversa pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cirurgia considerada de alta complexidade. O procedimento foi realizado no Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), no dia 30 de julho.

O paciente chegou à unidade por meio do sistema de regulação, após avaliação clínica e exames de imagem que confirmaram o diagnóstico de artrose glenoumeral. “Não sinto dores fortes no pós-operatório, graças aos protocolos adotados pelo HU. A decisão de realizar a cirurgia foi a melhor escolha. O tratamento e a equipe são de excelência, com atendimento humanizado e ambiente de alta qualidade”, afirmou o paciente.

A cirurgia representa mais um avanço para a medicina ortopédica no estado. Pela primeira vez, o SUS oferece esse tipo de tratamento no Amapá, que antes só era acessível a quem pudesse buscar atendimento fora da região. O procedimento foi conduzido pelos cirurgiões Alandelon Menezes e Felipe Pena.

“É um momento de realização e conquista, principalmente para os pacientes que não tinham essa possibilidade de fazer o procedimento pelo SUS no Amapá. Geralmente, eles eram encaminhados para outro estado ou ficavam sem o tratamento específico”, pontuou Alandelon Menezes.

Tecnologia e técnica em favor da vida

A artroplastia total de ombro com prótese reversa consiste na substituição da articulação danificada por componentes artificiais. Nesse tipo específico, a anatomia do ombro é invertida: a parte esférica (bola) é colocada no osso do ombro e a parte côncava (cavidade) no braço. “Isso permite que outros músculos, como o deltoide, assumam parte da função do ombro quando os tendões principais, como o manguito rotador, não estão funcionando bem”, explicou Menezes.

O procedimento é indicado para pacientes com lesões irreversíveis do manguito rotador, artrose avançada, fraturas complexas (sobretudo em idosos) ou após falhas de cirurgias anteriores. O principal objetivo é aliviar a dor e devolver a funcionalidade do membro, permitindo que o paciente recupere a independência nas atividades diárias.

Embora seja cada vez mais realizado no Brasil, o procedimento ainda não é comum em hospitais da rede pública, pois exige técnica especializada. “No entanto, em centros especializados, ela já se tornou um procedimento consolidado, com bons resultados para pacientes selecionados”, completou o cirurgião.

Assistência de excelência e equipe integrada

A realização da cirurgia foi fruto do esforço conjunto de uma equipe multidisciplinar, que trabalhou de forma integrada desde o acolhimento do paciente até o pós-operatório. “A equipe de enfermagem, o anestesista e os cirurgiões trabalharam de forma integrada, fazendo com que a cirurgia acontecesse de modo seguro e eficiente”, ressaltou a enfermeira Milena Macedo.

Além de um avanço técnico, a iniciativa representa uma mudança de perspectiva para centenas de pacientes que aguardam por atendimentos especializados. O HU-Unifap/Ebserh já se prepara para ampliar a oferta de procedimentos de alta complexidade.

“A expectativa é iniciar, em breve, os procedimentos de artroscopia de ombro. Mais adiante, devemos ampliar ainda mais a oferta, com a realização de próteses de joelho, artroscopia de joelho, próteses de cotovelo e de cabeça de rádio, além do tratamento de deformidades congênitas e adquiridas dos membros inferiores. Tudo isso será oferecido gratuitamente aos pacientes por meio do SUS”, concluiu o cirurgião Alandelon Menezes.

 Sobre a Ebserh 

O HU-Unifap faz parte da Rede Ebserh desde 2022. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

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