Saúde

Indígenas da área urbana de Macapá recebem ação social

Mais de 200 atendimentos foram realizados no Centro de Ensino Graziela Reis de Souza.

O Governo do Amapá e a ONG Instituto Akari promoveram no sábado, 16, uma grande ação social e de saúde que ofertou diversos serviços para indígenas que vivem na área urbana de Macapá. Mais de 200 atendimentos foram realizados no Centro de Ensino Graziela Reis de Souza.

A ação integra o Plano de Governo da gestão do governador Clécio Luís, que prevê a ampliação das políticas públicas de respeito e promoção da cultura dos povos indígenas, bem como assistência à saúde. Foram atendidos indígenas das etnias Galibi, Karipuna, Palicur, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Apalaí e Wajãpi.

A Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas do Amapá garantiu a logística com estrutura, medicamentos, equipe de apoio, lanche, área de recreação para as crianças com contação de histórias lúdicas e parceria da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que destinou um ônibus para o transporte da Casa de Apoio.

“O Governo do Estado acolheu e garantiu apoio ao Instituto Akari, que pelo segundo ano contou com a parceria da gestão do governador Clécio. A iniciativa é uma forma de facilitar o acesso dos indígenas não aldeados aos serviços de saúde e, ao mesmo tempo, busca fortalecer parcerias que promovam a dignidade humana dos povos indígenas”, pontuou a secretária dos Povos Indígenas, Sônia Jeanjacque.

Foto: Netto Lacerda/GEA

Os indígenas participaram de uma palestra educativa, e tiveram acesso à consultas com clínico geral, pediatra, educador físico, odontólogo, psicólogo e pneumologista.

Equipes de enfermeiros e técnicos de enfermagem realizaram a triagem com aferição de pressão arterial, temperatura, pesagem e teste de glicemia.

A jovem indígena Jackeline Tayra da Silva, de 24 anos, é da aldeia Tiriyó. Mãe de dois filhos, Izabele, de 5 anos, e do pequeno Nícolas, de 3 meses de vida, ela conta que procurou a ação em busca de atendimento pediátrico e clínico para a família.

“Nós precisamos de muitas ações como esta, muitos não falam a língua portuguesa e isso dificulta nosso atendimento de saúde. Somos muito agradecidos por esta atenção que recebemos”, disse a jovem.

O médico e professor universitário, Alceu Karipuna, fundador do Instituto Akari, ressalta que a ação é uma forma de acolher e identificar os principais serviços de saúde de que necessitam.

“Além de realizar os atendimentos este momento serve para compreender as demandas que eles apresentam para que a gente possa planejar outras ações com base na prioridade destas pessoas”, destacou o professor.

Os grupos de indígenas não aldeados são formados por pessoas que saem das aldeias em busca de melhorias nas áreas urbanas. A maioria procura por educação, cursos e formações que os capacitem para atuarem nas tribos de origem.

Patena Waiãpi é um dos exemplos dessa realidade. Estudante do curso técnico de enfermagem do Centro Graziela Reis, ele afirma que seu sonho é voltar para a aldeia e cuidar das pessoas.

“Nós buscamos aprender novos conhecimentos para poder ajudar nossas aldeias. O curso técnico de enfermagem é para isso, é um sonho que realizo. Essa ação trouxe muitos atendimentos que estávamos precisando, principalmente as crianças”, enfatizou o Patena.

Serviço voluntário 

Todos os profissionais de saúde que trabalharam nos atendimentos são voluntários que já atuam nas ações do Instituto Akari, que leva os serviços médicos até as aldeias.

Foto: Netto Lacerda/GEA

 

Texto: Alexandra Flexa