Cultura

Grupo Senzalas e convidados celebram Último show da temporada ‘Tambores do Meio do Mundo’

Tradições amapaenses e emoções marcaram o último show da temporada do ‘Tambores do Meio do Mundo’, do grupo Senzalas, na sexta-feira, 19, no Largo dos Inocentes, também chamado de ‘Formigueiro’. A região, tradicional e histórica do Centro de Macapá, tornou-se um berço da cultura para artistas locais.

Músicas como ‘Mal de Amor’, ‘Canto de Casa’ e ‘Mão de Couro’ embalaram o público em uma sintonia contagiante. Muitas pessoas se juntaram em frente ao palco para dançar, cantar e celebrar a cultura amapaense em sua mais pura essência.

O Governo do Amapá fomenta a programação, que também conta com apoio do senador Randolfe Rodrigues. A atividade integra a iniciativa ‘Arte nas Ruas’, da Associação Artística Cultural Ói Nóiz Akí.

“O Governo do Estado garante um investimento fundamental na produção cultural diversa que temos no Amapá, esse é o papel da gestão pública enquanto construtora de uma política de fomento que investe no setor. O grupo Senzalas tem esse papel que vem exercendo há mais de duas décadas, ou seja, é algo consolidado que tem se mostrado de grande relevância para o Amapá”, reforça a secretária de Cultura, Clicia Vieira Di Miceli.

Formado por Amadeu Cavalcante, Val Milhomem e Joãozinho Gomes, o grupo Senzalas  iniciou sua apresentação com o clássico “Em Movimento”, do álbum ‘Especial Cinco Ponto Cinco’. Imediatamente, o público cantou em coro ‘trago um ritmo gostoso meu amor, dengo pra você dançar. Encontrei marabaixada no tambor, numa noite de luar’.

“Esse é o jeito de ser do nosso povo, com nosso marabaixo, nosso batuque e nossa história, e é emocionante para nós tocarmos para um público tão especial e diverso”, vibrou Amadeu Cavalcante.

Aog Rocha/GEA

A estudante Vitória Zampa, de 22 anos, afirma que dançou bastante durante o evento, e que celebrações da diversidade amapaense sempre devem acontecer em locais públicos.

“É a segunda edição do ‘Tambores do Meio do Mundo’ que venho prestigiar, e não me canso! A cultura amapaense é muito rica, então, poder trazer artistas que são referências e também pessoas que estão começando, é muito importante”, afirma a jovem.

Em um momento do show, o grupo Senzalas chamou outros artistas que assistiam ao espetáculo para participar da performance. Assim, os cantores Patrícia Bastos e Enrico Di Miceli também subiram ao palco para cantar as marcantes da Música Popular Amapaense. Entre elas, ‘Bacabeira’, de autoria de Cléverson Baía, Nilson Chaves e Joãozinho Gomes.

Aog Rocha/GEA

“O grupo Senzalas é uma referência para todos nós no cenário musical amapaense, e isso é o trabalho de muitos anos de conquista, através de um público que apoia os artistas. Precisamos continuar cantando nossas músicas e histórias, pois é uma forma de resistência”, afirmou Di Miceli.

Rock e MPA

A banda Macacos Pelados abriu o último show da temporada do ‘Tambores do Meio do Mundo’ com muito rock alternativo. Influenciados por bandas nacionais e internacionais, como Arctic Monkeys, Selvagens à Procura da Lei e Rubel, o grupo trouxe reflexões e o poder das novas gerações com música autorais, como ‘Entre Mares’ e ‘Astros’.

O artista e produtor cultural Cléverson Baía também foi um dos convidados pelo grupo Senzalas. Ele embalou o público ao som de músicas como ‘Planeta Amapari’, ‘Levemente Louca’ e ‘Ilhas que Bailam’.

Foto: Aog Rocha/GEA

Diversidade cultural

O cantor, compositor e poeta Osmar Júnior também subiu ao palco do ‘Tambores do Meio do Mundo’. Com uma carreira consagrada, o artista cantou músicas conhecidas, como “Tajá”.

O refrão ‘tomo um banho de alho misturado com sal grosso, rezo pros meus guias, vou bebendo água de poço’ foi cantando em coro pela multidão, que dançava ao som do ritmo tradicional.

“Tenho aqui grandes companheiros de viagem e de vida. São mais de 40 anos cantando e compartilhando momentos juntos, e ver um trabalho organizado, que leva cultura para todos e incentiva, não tem preço”, disse o artista emocionado.

Em um dos destaques do show, Osmar Júnior chamou a talentosa Patrícia Bastos para um dueto de ‘Igarapé das Mulheres’. Em uma união de vozes, os artistas trouxeram o poder de representações culturais e da contação de histórias.

Foto: Aog Rocha/GEA

A dupla Helder Brandão e Beto Óscar também fez a alegria da plateia. Com músicas como ‘Manhãs de Julho’, ‘Flor de Mururés’ e ‘Ninfeta’, do álbum “São Batuques”, de 2012, os artistas abrilhantaram a noite com muita MPB e celebração amapaense. A comerciante Rita do Carmo, de 36 anos, conta que é muito fã da programação e que sempre vem para dançar.

“Nossa, a energia aqui é contagiante. Um amigo me chamou no show que teve em dezembro e eu gostei muito, acho que o ‘Formigueiro’ estava precisando voltar à ativa, e que bom que foi desse jeito”, disse Rita animada.

Grupo Senzalas e Tambores do Meio do Mundo

Senzalas é um grupo musical formado em 1997 como uma expressão da cultura e da identidade amapaense e amazônica. A partir de bases rítmicas do marabaixo e do batuque, o grupo criou sua musicalidade própria e vem criando experimentos e possibilidades, produzindo fusões inventivas com o reggae e zouk.

Como criador e difusor de música popular do Norte do Brasil, o Senzalas contribui de forma direta para firmar a cultura amapaense e amazônica no cenário da nova música brasileira, apresentando shows em locais como Rio de Janeiro, São Paulo, Alemanha e Guiana Francesa.