Saúde

A odontologia e seus desafios

25/10 – Dia do Cirurgião Dentista

Por: Daiz Nunes

A cada ano que passa, a Odontologia tem desenvolvido protocolos e técnicas mais precisas e alinhadas com a tecnologia digital e 3D. É um momento maravilhoso, científico, mas muito confuso e devastador do ponto de vista mercadológico. A tecnologia avança a passos largos, e o aprimoramento técnico contínuo é necessário.

Na odontologia não há uma especialidade mais ou menos importante quando pensamos em saúde e bem-estar. Tivemos recentemente um levantamento epidemiológico realizado pelo Ministério da Saúde, chamado SB Brasil 2020, atrasado por conta da pandemia, por isso, realizado somente agora, o último foi em 2010.

O estado do Amapá ainda não conseguiu oferecer a sua população marcadores aceitáveis para uma boa saúde bucal em todos os itens da atenção básica, como cárie dentária e saúde gengival. Com apenas 3 Centros de especialidades, sendo 2 do Estado, e 1 no município de Macapá. No levantamento preliminar esse ano no Brasil, as crianças de 5 anos estão com índice de cárie de 43%, a faixa de 15 a 19 anos 47%, já os de 35 a 44 anos 53% e os de 65 a 74 anos, 26%, mas porque esses não têm dentes , ou seja, mesmo com todos os esforços, ainda são insuficientes , temos uma pandemia de doenças históricas e que não se resolve com aplicação de flúor.

Ainda assim caminhamos com o país que mais forma profissionais nessa área no mundo. São 700 faculdades de Odontologia no Brasil.

Nos últimos anos, foram incluídos novas especialidades entre elas Harmonização orofacial, ainda muito discutida e rejeitada por estar numa área que primariamente era realizada somente por especialistas em Dermatologia e Cirurgiões Plásticos , mas que do mesmo jeito que esses profissionais atuam na região oral , sem nenhuma interpelação contrária de nossa parte, há ainda um incômodo muito grande de pequenos grupos que não aceitam compartilhar da mesma área com a Odontologia. Mas com acolhimento já de vários médicos, compreendendo que estamos tão preparados, quanto eles, pra atuar e contribuir com a construção de protocolos e desenvolvimento de pesquisas científicas. Então nossa entrada tão somente contribuiu e contribui para a especialidade.

A outra nova especialidade e não menos importante foi a Odontologia Hospitalar que salvou muita gente junto com os outros profissionais na UTI durante a pandemia COVID, e que precisamos cobrar da Assembleia Legislativa sobre o projeto incompleto que foi aprovado, mas não foi regulado e que precisa ser terminado adequadamente pra que possa definitivamente ser implementado.

Enquanto os hospitais em São Paulo e no sul do país, colocam a atuação profissional em primeiro plano, aqui no estado. alguns periodontistas e outras especialidades “suprem” esse nicho não regulado adequadamente, sem termos dimensionamento real das ações. O novo Hospital Universitário não incluiu no seu concurso de seleção nenhum profissional da Odontologia, nem tem previsão oficial. Nos hospitais particulares, alguns médicos ainda não aceitam essa especialidade como necessidade primária principalmente aos pacientes hospitalizados e em UTI.

Assim, finalizamos ainda com a precariedade da Saúde indígena que não podemos esquecer , um DSEI muito desestruturado , e ainda sem retorno viável pra oferecer saúde adequada pra essa população tão exposta há hábitos nocivos à sua saúde, com índice e marcadores altos , que no último levantamento realizado com um número de 68 indígenas , através do Projeto Akari. na faixa etária de 5 a 60 anos, demonstrou 93% de incidência de doenças orais .

Temos que lembrar que a boca e os dentes fazem parte do aparelho digestivo e é extremamente importante pra manutenção geral da saúde no que concerne, em estímulo hormonal, divisão nutricional , neurológica, cardiológica, metabólica, enfim, não é possível separar a boca do corpo , não é só sorrir, é comer , falar , nutrir e além disso, sociabilizar.